Professor do IFBA participa de ação cidadã no Oiapoque — IFBA

Como consultor do Projeto Àwúre, o professor Edson Kayapó, do campus Porto Seguro, atuou voluntariamente como assessor técnico e científico no evento realizado no Amapá, que também contou com a participação do presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Lelio Bentes Corrêa.

No início de julho, no período de 1º a 6, o professor da Licenciatura Intercultural Indígena, do campus Porto Seguro do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), Edson Machado de Brito, conhecido como Edson Kayapó, participou da Jornada Cidadã, realizada na cidade do Oiapoque e nas aldeias indígenas de Kuahi e Kumarumã, localizadas no estado do Amapá.

Como um dos consultores do Projeto Àwúre, o professor atuou voluntariamente como assessor técnico e científico na ação “Itinerância Oiapoque”, cuja finalidade foi a promoção de direitos e de escuta nas comunidades indígenas, localizadas na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa. “Trata-se de povos em situação de vulnerabilidade no interior da densa floresta amazônica, em que as pressões dos grandes projetos desenvolvimentistas ameaçam aqueles povos e a sobrevivência da maior floresta tropical do planeta”, explica o docente.

“A partir das escutas e observações in loco, a comitiva produziu relatórios e diagnósticos para a execução de projetos e ações de combate a violação de direitos dos povos da floresta”, afirma.

Com uma programação diversificada, o evento foi organizado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT8 – Pará e Amapá), em conjunto com instituições parceiras, e contou com a presença do presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Lelio Bentes Côrrea, da subprocuradora-geral do Trabalho do Ministério Público do Trabalho (MPT), Edelamare Melo, de representantes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), como, o diretor do Escritório da OIT para o Brasil, Vinícius Pinheiro, e o oficial nacional de Projeto, Diego Calixto, de diversas autoridades e lideranças indígenas.

A Jornada Cidadã ainda teve a aula magna do ministro Lelio Bentes Corrêa, com o tema “Justiça e Trabalho Decente na Amazônia”, destacando a importância de o Brasil se conhecer e a construção de suas raízes, representadas ali naquele ponto de início da nação.

Escravidão indígena e resistência são apresentadas na University of Bonn

O professor Edson Kayapó também esteve presente na Conferência Híbrida, realizada pela University of Bonn, na Alemanha, no período de 22 a 24 de maio, com o tema “Narrativas públicas da história da escravidão indígena e afro-brasileira” (Public narratives of the history of indigenous and afro-brazilian slavery). O evento reuniu pesquisadores(as) e ativistas para debater tópicos sobre as interseções da herança cultural da escravidão indígena e afro-brasileira nas festas, na discussão da última Constituição, no ensino, nas narrativas fílmicas, nos museus e nas políticas de reparação.

A apresentação do professor sobre “Escravidão indígena, resistência e outras histórias” aconteceu no dia 23 de maio e integrou o Painel 3, com a temática central “Política patrimonial e ensino de história indígena e afro-brasileira”.

De acordo com Kayapó, “Foi a oportunidade de compartilhar produções científicas com reconhecidos pensadores de diversos continentes, interagir em grupos de pesquisas, avançando nos debates sobre a escravidão africana e indígena. Em breve, será lançada a publicação de uma coletânea (em inglês e português), reunindo todas as pesquisas apresentadas”.

A presença em solo alemão ainda possibilitou a participação em uma reunião na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Bonn, junto com representantes de povos indígenas, na qual abordou a problemática indígena e atual situação dos povos indígenas no Brasil. Na oportunidade, o professor do IFBA foi convidado para coordenar projetos vinculados à educação indígena pelo Projeto Àwúre, uma iniciativa do MPT, OIT e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Na página do Projeto Àwúre, que foi lançado em 2019, seu objetivo está definido como “promover o respeito pela identidade, diversidade e pluralismo de comunidades tradicionais, incluindo povos indígenas, negros, quilombolas, ribeirinhos, moradores de comunidades periféricas e praticantes das religiões de matriz africana, para combater a discriminação, a intolerância, a violência e o racismo”.

O professor destaca que suas participações nos dois eventos são resultado do reconhecimento não apenas de suas competências e habilidades, mas também da seriedade e compromisso de sua instituição de vínculo, que proporciona as condições necessárias para seu desenvolvimento intelectual, técnico e político. Ainda completa: “os diálogos promovidos com as pessoas e instituições envolvidas nas referidas atividades, abriram possibilidades de projeção e realização de projetos de pesquisa e extensão de grande alcance, a partir da possível cooperação técnica envolvendo as agências da ONU, o Projeto Àwúre – vinculado ao Ministério Público do Trabalho – e o IFBA, por exemplo. O horizonte das possibilidades se abrem, à medida que dialogamos com as instituições e demonstramos trabalho sério e compromisso com o ensino, pesquisa e extensão”.

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Colaboração: Gilberto Amorim

Fotos: Arquivo pessoal

Fontes:

Coordenação Indígena e Comunidades Tradicionais (CIND), do Departamento de Políticas Afirmativas (DPAF), da Diretoria de Políticas Afirmativas e Assuntos Estudantis (DPAAE)


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