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A 45ª edição da feira mundial do turismo decorreu este fim-de-semana, em Paris. Este foi o regresso do salão do turismo ao parque das exposições de Versalhes depois de uma ausência de dois anos por causa da pandemia. Esta edição contou com 500 expositores, entre eles da Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
Em 2019, a feira mundial do turismo recebeu em Paris mais de 95.000 visitantes. Esta edição teve como pano de fundo as preocupações da guerra na Ucrânia e as restrições sanitárias, aplicadas em vários países. A Organização Mundial do Turismo sofreu uma quebra de 72% nos últimos dois anos e o turismo procura hoje um novo impulso.
“Foi um com orgulho” que o presidente da câmara Municipal de Quelimane, Manuel de Araújo, esteve em Paris a representar o país.
“Melhor do que isto era impossível. Estivemos aqui a representar não só a cidade de Quelimane, a província da Zambézia e Moçambique. Somos os únicos de Moçambique a carregar a bandeira do país e para nós representa muito orgulho e estamos muito satisfeitos”, explicou o autarca.
Estar nesta feira permitiu ainda criar “contactos da parte do público em geral, mas também das agências de viagem, de revistas de especialidade na área de turismo e, hoje, foi um dia de ouro porque recebemos a sua excelência, o ministro da Defesa de Moçambique que veio de propósito para visitar o nosso espaço. Portanto melhor do que isso era impossível”, explicou.
“O senhor ministro ficou muito feliz e encorajou-nos a continuar com esta atitude porque só soubemos desta feira há três semanas, quando eu estive em Paris, para ter um encontro com a sua excelência a senhor embaixador e ele disse-me que estava a escrever para Moçambique mas que não estava a receber feedback”, contou.
Na altura, o o presidente da câmara Municipal de Quelimane comprometeu-se em voltar à capital francesa. “Foi um milagre, mas também tivemos sorte, tivemos o apoio da nossa embaixada, do nosso embaixador e de toda a sua equipa, especialmente da senhora Laura, que está aqui connosco. Nós agora chamamo-la da mãe pavilhão de Quelimane”.
Terrorismo em Cabo Delgado tem afastado os turistas de Moçambique
“A questão de Cabo Delgado assusta o turismo porque as pessoas não têm ideia do comprimento de Moçambique. Por exemplo , se sair de Maputo para o norte, para a zona onde há esse conflito, é como se percorresse de Lisboa a Berlim, estando no mesmo país. Nós não sentimos que em Moçambique há guerra. Em Quelimane estamos a 1.800 quilómetros de Cabo Delgado. Moçambique é tão grande, tão grande que felizmente não se sente o impacto do conflito lá”, descreve.
“Sentimos o impacto, claro, da falta de turismo porque os turistas quando ouvem dizer que em Moçambique há guerra, eles pensam que é em todo o país e é preciso desmistificar isso”, defende.
“A Total está a entrar em grande na exploração do gás. Só este ano, acho que vão entrar em Moçambique cerca de 5.000 franceses. Pessoas com capital. Pessoas com dinheiro. Portanto nós queremos atrair as pessoa até às nossas praias, para os nossos restaurantes, para virem apreciar o país. É por isso que nós estamos aqui”, concluiu.
Amadu Djaló é operador turístico na Guiné-Bissau e esteve em Paris a representar a Guiné-Bissau. “Há muita gente que não conhecem o país e estamos aqui para dar a conhecer o nosso país e para as pessoas ficarem a saber por que motivo vale a pena conhecer a Guiné-Bissau”, explicou.
“A Guiné-Bissau é um país que tem ouro. É um país maravilhoso. Temos ilhas, temos monte, temos mar. Neste momento não há muito turismo por causa da pandemia”, lamenta.
“O expositor de São Tomé e Príncipe e os produtos do arquipélago foram um sucesso”, contou-nos o cônsul honorário de São Tomé, em Marselha, Jean Pierre Bensaid.
“No último dia da feira não temos quase nada. Vendemos quase todos os chocolates, as especiarias, o chá do país, os sabores de coco. Houve muita, muita gente a querer informações sobre o que chamamos de ilhas-chocolate. Essas ilhas de chocolate despertam muito interesse para os franceses”, explicou.
“A imagem do chocolate está ligada ao país há muito tempo. Os turistas inventam histórias de que vão encontrar chocolate nas árvores ou que vão encontrar o chocolate em todos os lados, isso é muito bom para atrair e passar uma boa imagem das nossas ilhas. Em São Tomé e Príncipe encontrando outras belezas, a natureza, as roças, as praias, as montanhas, as caminhadas e sobretudo a população e o contactos com os são-tomenses”, sublinha o cônsul honorário de São Tomé, em Marselha.
No arquipélago encontram-se ainda árvores únicas, que não existem em nenhum outro lugar do mundo. “Essas árvores fazem parte da Reserva Mundial da Biosfera, da UNESCO temos mais de 180 árvores diferentes”, concluiu.
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