Além disso, a declaração encoraja o diálogo entre governo e oposição na Venezuela e manifesta preocupações com a crise humanitária no Haiti
247 – A Cúpula dos países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e União Europeia chegou ao fim nesta terça-feira (18) sem um consenso sobre a condenação da Rússia pela guerra na Ucrânia, que já dura quase 17 meses. As informações são do jornal O Globo.
O texto final do encontro em Bruxelas, Bélgica, que teve a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não cita “Rússia”, mencionando apenas “preocupações profundas” com o conflito armado na Ucrânia. O documento de dez páginas, adotado quase por consenso (com exceção da Nicarágua), aborda o tema da guerra no Leste Europeu em apenas um parágrafo. A linguagem utilizada gerou controvérsia entre os líderes, dificultando um acordo final.
Em seguida, os 60 países que compõem os dois grupos — 33 latino-americanos e 27 europeus — expressam seu “apoio à Iniciativa de Grãos no Mar Negro e aos esforços do Conselho de Segurança da ONU para garantir sua continuidade”. O documento continua afirmando apoio a “todos os esforços diplomáticos que buscam uma paz justa e sustentável em consonância com a Carta das Nações Unidas”.
Em relação ao acordo UE-Mercosul, que está paralisado devido a demandas europeias relacionadas ao meio ambiente — algo que os sul-americanos veem como protecionismo e ameaças —, o documento apenas “observa os trabalhos em andamento” entre os dois blocos, sem mencionar a palavra acordo. A falta de avanço no encontro desta semana resultou em um afastamento desse tema.
Em relação à Venezuela, o documento apenas “encoraja um diálogo construtivo entre as partes das negociações lideradas por venezuelanos na Cidade do México”. Um encontro paralelo entre representantes do governo e da oposição venezuelana foi organizado ontem pelo presidente da França, Emmanuel Macron, com a presença dos presidentes Lula (Brasil), Gustavo Petro (Colômbia) e Alberto Fernández (Argentina).
CONTINUA DEPOIS DAS RECOMENDAÇÕES
O comunicado também menciona preocupações com a crise de segurança no Haiti e reitera o apoio ao processo de “paz total” buscado por Petro na Colômbia, com o objetivo de pôr fim a décadas de violência entre as forças de segurança e grupos armados e revolucionários.
Em questões particularmente relevantes para os países em desenvolvimento, as 60 nações afirmam que é “importante” cumprir a promessa firmada em 2009 de destinar US$ 100 milhões de dólares anuais de 2020 a 2025 em financiamento climático para os países em desenvolvimento.
O comunicado também ressalta o compromisso de “renovar e fortalecer ainda mais” as relações entre os dois lados do Atlântico, baseadas em “valores e interesses compartilhados”, assim como em laços econômicos, sociais e culturais. Outro ponto destacado é que a cooperação e o relacionamento devem “considerar as diferenças em nossos níveis de desenvolvimento econômico e social”.
O documento, que enfatiza a necessidade de respeito aos direitos humanos e ao combate à discriminação, “reconhece e lamenta profundamente o sofrimento imensurável infligido a milhões de homens, mulheres e crianças como resultado do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas”. A escravidão e o tráfico de pessoas escravizadas foram “trágicas atrocidades na história da humanidade, não apenas pela terrível barbárie, mas também por sua magnitude”.
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