
Gil Reis*
A introdução da inovação e tecnologia no mundo rural tem demonstrado que elas se tornaram o grande diferencial na quantidade e qualidade de produção. Apesar da obviedade dos benefícios, ainda há alguns países que precisam superar vários problemas. Entre eles, os maiores fatores são, muitas vezes, o receio da novidade, fruto do desconhecimento, e a falta de recursos para implantá-las. No Brasil, o produtor rural vem superando paulatinamente todos os impedimentos à introdução da inovação e tecnologia no campo. A prova de que superamos os problemas é o rápido desenvolvimento e crescimento da nossa agropecuária.
O site THE FRONTIER HUB publicou, em 25 de maio deste ano, reportagem sob o título “Como a IA e a automação estão aumentando a agricultura inteligente”, assinada por Matt Vulpis, com informações sobre a tecnologia e inovação em território americano. Transcrevo trechos.
“Inovar na agricultura inteligente pode ser difícil, uma vez que a indústria agrícola realmente prospera na transferência geracional de empresas familiares. Atualmente, 98% das fazendas americanas são de propriedade familiar e, quando esses agricultores adotam novas tecnologias, é apenas quando estão convencidos de que é seguro para eles, suas famílias e suas terras e que os ajudará a cultivar melhor.
Além de a agricultura ser uma indústria controlada digitalmente, a criação de inovações tecnológicas bem-sucedidas requer pesquisas detalhadas atualizadas, associadas ao setor em questão. Infelizmente, menos de um por cento dos cidadãos dos EUA têm experiência direta em fazendas, e é extremamente raro para a maioria das pessoas ter o nível de acesso em tecnologia necessário para impulsionar a inovação agrícola. Isso não apenas torna extremamente difícil para os especialistas em tecnologia obter a pesquisa necessária para inovar, mas também dificulta que os próprios agricultores façam investimentos inteligentes e informados para melhorar a sustentabilidade e a produção de alimentos.
Para superar essa barreira de informações entre agricultores e especialistas em tecnologia, a chave é promover uma melhor compreensão da pesquisa, descoberta e aplicação agrícola. Este teria que ser um investimento que levaria muito tempo para gerar retorno, tanto em termos de ganhos de habilidade/conhecimento sobre as operações da fazenda, quanto em termos de produtividade e lucratividade operacional da fazenda. Do lado dos agricultores, esse investimento inclui diminuir os temores de perturbar o status quo, questões de segurança, monopolização, que podem retardar ou barrar a tecnologia tão necessária. Por exemplo, a história passada e mais recente está repleta de exemplos de onde a pesquisa inovadora — inseminação artificial, mecanização, culturas transgênicas — lutou para ser aceita depois que os resultados foram comercializados. Lidar com esses medos exigirá uma mudança no pensamento social para minimizar a percepção comum de que inovação é igual a risco.
Quanto ao lado dos especialistas em tecnologia, domar o medo de inovação do agricultor médio exigirá trabalhar mais para entender a situação do agricultor comum e como aliviar esses problemas por meio da tecnologia. A solução mais notável e acessível para isso hoje em dia é simplesmente que essas empresas de tecnologia envolvam mais agricultores e a indústria agrícola como um todo. Embora existam alguns problemas aqui em relação à largura de banda do agricultor, acesso e contexto do tecnólogo e diferenças culturais, é sem dúvida que todo o setor agrícola seria bem servido por um conjunto “intermediário” de recursos para tecnólogos que estão pensando em construir para agricultura.
O rápido crescimento não é surpreendente, para dizer o mínimo, já que a IA possui um enorme potencial em termos de revolucionar os processos diários dos agricultores. Por exemplo, as organizações já estão aproveitando a visão computacional e os algoritmos de aprendizado profundo para processar as informações ou dados recebidos pelos drones para monitorar a saúde das culturas e do solo. Os drones de IA na agricultura podem ser usados remotamente e monitorar continuamente a qualidade do solo para garantir o crescimento saudável das plantações. Ao fornecer um resumo detalhado do conteúdo do solo no campo, as aplicações de ML e Al na agricultura fornecerão informações sobre a qualidade do solo e ajudarão os agricultores a tomar decisões imediatas para melhorar a qualidade.
Além disso, a IA pode ajudar os agricultores a encontrar várias abordagens competentes para proteger suas fazendas de pragas ou ervas daninhas. Atualmente, o controle de ervas daninhas tornou-se a principal preocupação dos agricultores, e isso é um desafio contínuo, pois o conflito com herbicidas se torna um lugar rotineiro. Segundo a pesquisa, só o efeito de ervas daninhas descontroladas nas lavouras de soja e milho trouxe prejuízos de cerca de USS 43 bilhões para os agricultores. A IA pode monitorar remotamente o crescimento de ervas daninhas, controlar pragas e produzir colheitas mais saudáveis, permitindo que os agricultores se livrem de 80% dos produtos químicos que geralmente são pulverizados nas plantações.
No geral, embora IA, ML e outros aplicativos automatizados possam oferecer inúmeras vantagens aos agricultores, a fim de atingir os níveis desejados de sustentabilidade alimentar, ainda é muito necessária mais inovação. Por enquanto, é fundamental que os provedores de tecnologia pensem em algumas coisas, como melhorar suas ferramentas, como ajudar os agricultores a enfrentar seus desafios e como transmitir de maneira fácil e compreensível que o aprendizado de máquina ajuda a resolver problemas reais, como reduzir trabalho manual. Ao fazer isso, os especialistas em tecnologia podem ajudar os agricultores a construir um ecossistema tecnológico robusto que resistirá ao teste do tempo e oferecerá uma produção global de alimentos e segurança como nunca antes.”
A reportagem traz algumas informações interessantes. Entre elas, o esclarecimento de que atualmente 98% das fazendas americanas são de propriedade familiar e que há uma enorme dificuldade de conhecimento dos especialistas em tecnologia sobre a produção rural. Como no Brasil, a pesquisa inovadora americana enfrentou os mesmos problemas — inseminação artificial, mecanização, culturas transgênicas —, lutou para ser aceita e somente o foi depois que os resultados foram comercializados.
Felizmente, como citei anteriormente, o produtor rural brasileiro, com muita luta, tem superado os problemas, mais psicológicos do que práticos, e vem vencendo as barreiras de impedimento para o crescimento da nossa produção.
“Se você faz o que sempre fez, vai ter o que sempre teve”. Anthony Robbins, ou Tony Robbins, estrategista, escritor e palestrante motivacional estadunidense.
*Consultor em Agronegócio
**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA
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