Quem é a família Mota, que enriqueceu com tráfico na fronteira com Paraguai desde os anos 1970 | Fantástico
Quem é a família Mota, que enriqueceu com tráfico na fronteira com Paraguai desde os anos 1970
“Meu compromisso com eles era segurança da família, propriedades”, relata Iuri.
A família à qual Iuri se refere é o Clã Mota: Dom é o filho mais velho; a irmã, Cecyzinha Mota, e a mãe Cecy Mota, ambas investigadas por lavagem de dinheiro. E o pai, Antonio Joaquim da Mota, o Tonho.
As autoridades afirmam que Dom, o filho, e o pai, o Tonho, controlam parte do narcotráfico na fronteira entre Pedro Juan Caballero, no Paraguai, e Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul. As duas cidades são separadas apenas por uma avenida.
“A região Ponta Porã e Pedro Juan ela tem uma relevância histórica. Se você for olhar a história do tráfico, se os grandes traficantes, os grandes nomes, se não eram da região, eles passaram por ali. Você consegue observar, olhando em documentos históricos ou de operações, que existem sucessões familiares ali”, destaca Alexandre Parise, procurador da República em Ponta Porã (MS).
A história da família Mota na fronteira começou nos anos 1970. O repórter paraguaio Cândido Figueiredo cobriu o narcortráfico na região por 25 anos.
“O Motinha é a terceira geração de uma família que se enriqueceu com um narcotráfico. Os Motas são pessoas muito, muito bem conhecida na fronteira. Nos anos 70 chegou o patriarca da família – o baiano Joaquinzinho da Mota”, relata Cândido Figueiredo, jornalista.
Joaquinzinho da Mota é avô de Dom, o Motinha.
“Quando ele chegou na fronteira, ele começou a armar uma fachada legal, na época era o contrabando de café, seguiram o tráfico de armas, munição, também começou a surgir a cocaína. Quando ele chegou aí já tinha o padrinho da fronteira, que era o Fadh Jamil”, completa Cândido.
Considerado um dos chefes do crime organizado na fronteira, Fahd Jamil era próximo à família Mota. Dom chegou a namorar a neta dele.
Integrantes da família de Jamil estavam na lista de casamento da irmã de Dom, Cecyzinha Mota, em 2016. Entre os convidados, havia vários outros líderes do narcotráfico.
O casamento da irmã de Dom não duraria muito. O marido dela não aceitou o envolvimento da família Mota com o crime.
Em mensagem, ele disse: “Você acha certo fazer contrabando? Fazer esquema?” A irmã de Dom responde: “Eu não cuspo no prato que me deu de comer, meu pai foi por muito tempo contrabandista de cigarro. Hoje é de boi ou sei lá o quê. Eu usufrui disto”.
A irmã de Dom, Cecyzinha, parecia compactuar com a violência da família. Ela encomendou a morte de um desafeto a um pistoleiro, um ex-policial paraguaio: “Tô precisando de um serviço seu aí, você vai ter que dar um fim em uma pessoa pra mim”, mostra uma das mensagens.
Nas mensagens, a irmã e a mãe de Dom, Cecy, planejam uma vingança depois de uma briga em uma boate. A mãe escreve: “Se essa japa atravessar na sua frente, eu vou matar. Admiro você não pegar um revólver e dar uns tiros na perna dela”. A filha responde: “Quem falou que não vou?”
Os Mota também são próximos à família de outro traficante muito conhecido: Jorge Rafaat. Em 2016, Jorge Rafaat foi assassinado num intenso tiroteio em Ponta Porã. Ele era padrinho de Dom, segundo o depoimento de um familiar.
Em nota, a Polícia Federal disse que foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão na operação “Magnus Dominus”, na semana passada. Dom segue foragido, e na lista de difusão vermelha da Interpol.
A defesa de Iuri Gusmão disse que acompanha os fatos para garantir a proteção dos direitos a ampla defesa do investigado.
O advogado do pai de Dom disse que a família está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos para o restabelecimento de sua honra e, ainda, que não teve todo acesso ao conteúdo investigado e, por isso, não pode esclarecer os fatos noticiados pela imprensa.
Veja a reportagem completa abaixo:
Procura-se ‘Dom’: guarda-costas confirma em depoimento que chefão do tráfico foi avisado de operação da PF para prendê-lo
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