Mas, o que fará o velho e decadente Tio Sam? Continuará a aplicar a sua política monetária destinada a esfriar a economia mundial, usando a taxa de juros referencial como sua principal ferramenta, para afetar a economia chinesa por tabela.
Como assim? Muito simples, como todos estamos vendo, a Reserva Federal (FED) está manipulando as taxas com o álibi de controlar a inflação nos Estados Unidos. Isso não condiz com a realidade, já que a inflação que esse país tem é uma das mais altas entre as nações desenvolvidas, portanto, subir ou baixar as taxas para evitar uma escalada inflacionária não tem sentido. Porém, essa medida tem um impacto severo na economia mundial.
Como todos os Bancos Centrais do mundo ocidental estão dando passos na mesma direção que o FED norte-americano, o que eles estão fazendo é dar alcance planetário à estratégia de transformar a taxa em uma arma de guerra geopolítica que, entre outras coisas, levará a uma queda do consumo global, a redução da oferta monetária e o aumento do custo do dinheiro para fins de investimento.
Dessa forma, os Estados Unidos não apenas esfriam a economia mundial, mas reduzem drasticamente o mercado mundial para a “fábrica chinesa”, pois haverá menos compradores e será mais caro o acesso ao crédito. Sem dúvida, este é um duro golpe para a expansão chinesa, mas também é um duro golpe para a economia mundial, que terá um aumento colossal do desemprego, maior redução da renda e diminuição da demanda em todos os estratos sociais.
Portanto, se cria um cenário de recessão mundial induzida, em nome da estabilidade financeira e do combate à inflação. Não é por acaso que os organismos multilaterais nos repetem que o PIB mundial crescerá apenas 2%, insuficiente para qualquer nível de desenvolvimento. O Fundo Monetário Internacional (FMI) aplaude o FED e os bancos centrais de todo o planeta, expondo que carece da autonomia que reivindica publicamente, e que responde aos interesses do maior parceiro que são os Estados Unidos.
O aumento das taxas nos Estados Unidos é previsível e atingirá sua economia, que já vem em recessão técnica desde o quarto trimestre de 2022, e que deverá continuar assim até o primeiro trimestre de 2024, segundo previsão do próprio FED. De acordo com estimativas moderadas, está estabelecido que, em 2023, as políticas monetárias norte-americanas gerarão perdas de mais de US$ 360 bilhões, devido à queda na receita em dezenas de países. Da mesma forma, se continuarem sendo implementadas políticas monetárias recessivas, haverá precipitação das crises de dívida, e consequências na alimentação, saúde e emprego em vários países.
Os danos causados pelas medidas de política monetária, segundo informe de 2022 da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, não impactarão apenas o crescimento chinês, mas terão efeitos devastadores nas economias menos desenvolvidas. A dimensão desses danos tende a ser maior que os causados pela crise de 2008 e pela pandemia, em 2020. Para piorar a situação, quando o investimento é esquivo para os países mais pobres, os países em desenvolvimento acabam, em consequência, financiando os países desenvolvidos, especialmente aqueles que perderam mais de 10% de seu valor em relação ao dólar.
A esta altura, está claro que a guerra geopolítica em que se encontram China e Estados Unidos está sendo financiada por todos os povos do mundo, que não têm acesso às cordas do poder econômico e financeiro, pois estes continuam nas mãos de Washington e seus aliados.
(*) Nilo Meza é economista e cientista político peruano.
(*) Tradução Victor Farinelli.
Crédito: Link de origem



Comentários estão fechados.