″As canções acabam sempre por espelhar a nossa visão do mundo″

Chama-se Uma Música Angolana e o título diz tudo. Nele se resume não só conteúdo como também, de certa forma, a própria carreira da autora, cuja música, apesar de quase sempre fora dos cânones, nunca deixou de ser isso mesmo, angolana. Mas para Aline Frazão os conceitos apenas existem para serem quebrados, ou talvez moldados, como mais uma vez se comprova neste trabalho. Ao contrário do intimismo a que habituou os fãs, a artista angolana surge agora acompanhada de uma banda, com a qual construiu um disco “de celebração, de ritmo e de festa”. Trata-se também de um regresso a Angola, onde voltou a viver, depois de tantos anos fora. Seja através dos ritmos do país natal, que se cruzam com outros, vindos do Brasil, de Cabo Verde ou do Congo, numa constante desconstrução dos tais conceitos, mas também no modo cronista como vai revelando, nas letras, como é viver em Luanda. “Todos os meus discos têm esse diálogo permanente com Angola”, assume. Reconhece no entanto que perdeu “o privilégio de reflexão da diáspora”, ganhando, em compensação, “a proximidade do quotidiano”. Depois de uma primeira apresentação ao vivo, no Auditório de Espinho, a artista atua este mês em Lisboa, dia 20, no Teatro Maria Matos.

Pode-se afirmar que este disco representa um regresso a Angola?

É uma boa questão, apesar de na minha cabeça eu nunca ter saído realmente de Angola, mesmo tendo passado tanto tempo fora. Mas sim, pode-se dizer que é resultado de quatro anos a morar lá e isso sente-se num lado meio cronista do disco. É também um trabalho mais rítmico, mais próximo daquilo que as pessoas associam à música angolana. Daí também a brincadeira do título. Angola nunca deixou de ser uma referência e uma inspiração na hora de escrever as canções, especialmente Luanda, que é a minha cidade. Todos os meus discos têm esse diálogo permanente com Angola.

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