Este mês tem Copa do Mundo de mulheres, competição maravilhosamente inclusiva, com presença de países pouco habituados a participar dos banquetes esportivos ou de decidir títulos.
Logo no grupo A, tem a Filipinas, país de 7 mil ilhas, talvez o maior mosaico multicultural do planeta, 100 milhões de pessoas governadas por um presidente chamado Bongbong.
Chave B, vamos de Nigéria, matriz de Soteroafrica (Salvador): foram três séculos de navios tumbeiros, vamos verificar semelhanças com o jeito de ser das águias, pois a ancestralidade é irmã e imã.
Também tem a Zâmbia, onde a vida selvagem, com leão e crocodilo, lembra filme de Tarzan e justifica safáris, em nação liberta do Reino Unido, o Dois de Julho deles em 1964.
O Haiti, para esta coluna, é o verdadeiro campeão do mundo ad infinitum (abraço, André Setaro) pois participa da ideia de revolução, ao degolar franceses alienígenas.
Foi em 1804, o único combo independência/abolição promovido por comandos escravizados pretos, libertou geral! No comecinho do XIX, até vodum fizeram, Ogum botou pra correr!
Total respeito e admiração ao Haiti, a tevê mostra um paiseco sem chance, efeito tardio da funda cravada na razão dos “civilizados”, até hoje não perdoam a ousadia os genocidas necessariamente racistas, a crueldade como doentia diversão.
No grupo E, tem Vietnam x Estados Unidos, lembra logo a guerra nos 1960, toda a estupidez das napalm, embora os “go green” tenham saído fregueses dos comedores de arroz malocados em grotas.
As brasileiras terão a honra de enfrentar, no Grupo F, a Jamaica do reggae (One Love!), gênero musical capaz de inspirar as “dreads” das jogadoras do Caribe.
Às argentinas, é dada a oportunidade de repetir a proeza dos rapazes, campeões do mundo, mas para tanto a Albiceleste Girl precisa invadir a diretoria das alemanhas, noruegas e usas.
No H, dois países dividem o charme, na nossa perspectiva, o Marrocos do mundo árabe, e a Colômbia dos altiplanos psicoativos, dois tesouros multiculturais.
A Women Liberation Cup poderia tornar-se ferramenta didática para iniciação em ética, geopolítica, gênero e estética, mas precisamos enxergar sem antolhos.
E, neste parêntese, lembramos ser impossível ensinar uma definição de virtude, mas pode-se, por meio de práticas virtuosas, aprender a agir com base em conhecimento, moderação e justiça.
A personagem da semana é a professora Danielle Forestieri ao instruir seu Pantheon de pequenos divinais: Ludmila, Lara, Maria, Luís, Felippe, Gabriel, João Arthur, João Ricardo, Ryuki, Davi e Guilherme.
O método beira ao empirismo, pois primeiro vêm as impressões visuais e estéticas das figurinhas do álbum – neste momento, produzindo ideias, ao estimular a vontade de saber mais sobre tal e qual país.
A motivação lúdica pode levar a hipotético retorno às origens da busca por definições das coisas, (Platão, século IV a.C.), a partir de perguntas como “Por que você prefere Haiti e não França?”
Eis a bola na marca penal se a docente quiser promover a iniciação filosófica na juventude olimpiana, falando para a criança entender o duelo da justiça: seria reparadora e proporcional ou meritocrático-elitista?
Os imperialistas produzem propaganda ideológica, vamos resistir com educação!
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