Em declarações à Inforpress, em Lisboa, no âmbito da comemoração do 48º aniversário da independência nacional, Eurico Monteiro lembrou que o percurso da comunidade cabo-verdiana em Portugal não é muito antigo, como por exemplo, o dos Estados Unidos da América (EUA).
“A comunidade cabo-verdiana em Portugal é muito bem integrada, mas isso não quer dizer que não há desafios. Desde já, da habitação, que passou a custar muito mais, o que acaba por elevar o custo de vida e torna-lo muito complicado”, frisou.
Segundo ele, os cabo-verdianos começaram a chegar em massa a Portugal, a partir dos anos de 1960 e 1970, sendo que no início, os cabo-verdianos ficavam somente na área da Grande Lisboa, mas que com os tempos e a chegada de muitos estudantes, a comunidade começou também a instalar-se em outras regiões, nomeadamente no norte e centro.
“Podemos até encontrar cidades em que a comunidade cabo-verdiana é formada somente por estudantes, mas também começamos a ter a equidade de género na emigração cabo-verdiana para Portugal, porque no início, chegavam muitos mais homens do que mulheres, cenário esse que já mudou”, indicou.
Em relação ao problema de habitação que tem afetado muito quem vive aqui, estudantes, trabalhadores, nacionais e estrangeiros, Eurico Monteiro lembrou que o governo português tem trabalhado no sentido de resolver essa situação do aumento do preço, mas que “não sendo suficiente, pode ajudar”.
“Temos também bolsas de pobrezas entre a comunidade cabo-verdiana, em alguns bairros, que ainda carecem de ser resolvidas. A embaixada tem trabalhado junto das associações e tem dado o suporte necessário dentro das suas competências”, frisou o embaixador.
Eurico Monteiro assegurou que tem recebido sempre todas as pessoas que pedem audiência com ele, algumas indicadas pelas associações e outras por iniciativa própria, como ativistas e pessoas que querem ajudar de alguma forma o seu país.
De acordo com o embaixador Eurico Monteiro, ao chegar os 48 anos da independência nacional, Cabo Verde é o terceiro país com mais imigrantes em Portugal, depois do Brasil e Reino Unido.
Conforme os últimos dados divulgados pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF-Portugal), até final de 2022, viviam neste país 36.748 cidadãos de Cabo Verde, mas o embaixador acredita que se se for contabilizar os cabo-verdianos da primeira, segunda, terceira ou quarta geração (incluindo os que utilizam só a nacionalidade portuguesa e os que não tem ainda residência), pode-se dizer, “com clareza, que esse número chega aos 260 mil”.
“As pessoas estão aqui, mas têm dado o seu contributo para o desenvolvimento do país. Como sabe, os cabo-verdianos em Portugal é que mais contribuem com as remessas para Cabo Verde”, sustentou, considerando que “não é por acaso que se diz que Cabo Verde não é só as dez ilhas, mas que tem a 11ª ilha que é a sua diáspora, que de longe, dão o seu contributo e quando acharem que devem regressar, regressam”.
Por outro lado, Eurico Monteiro referiu que o Acordo sobre a Mobilidade entre os Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) tem beneficiado muitos cabo-verdianos que nos últimos meses tem chegado a Portugal.
“O Estado não pode impedir ninguém de viajar, se o outro país está disponível a recebê-lo. O que se tem que fazer é criar incentivos, tanto as instituições públicas, como privadas, para assegurar que os seus quadros fiquem no País”, disse.
O Acordo sobre a Mobilidade entre os Estados-Membros da CPLP foi assinado em 2021, e visou criar e facilitar a mobilidade entre os países da comunidade, através da adopção de um regime mais simples de emissão de vistos.
A CPLP integra Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Inforpress
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