Pesquisadores da Embrapa apostam em novas tecnologias para proteger as lavouras das mudanças climáticas | Jornal Nacional
Grande parte da população não relaciona alta dos preços a fatores climáticos
Pesquisadores da Embrapa estão apostando na tecnologia para evitar que as lavouras fiquem reféns das mudanças climáticas. São estudos que podem proteger agricultores e também consumidores.
A agricultura é um dos setores mais vulneráveis da economia às mudanças climáticas. Extremos de calor e de frio, períodos de inundação ou estiagem, são devastadores para produção de alimentos. Mas essa realidade não é percebida por grande parte da população. Segundo pesquisa do Ipec, 44% dos brasileiros não relacionam a alta dos preços dos alimentos a fatores climáticos.
O preço final dos alimentos também é afetado pelo custo do frete, dos combustíveis, da sazonalidade da produção, entre outras causas. Mas não é possível negar o impacto das mudanças climáticas. No carrinho alguns produtos que sofreram alta nos preços nos últimos 12 meses, muito acima do IPCA, da inflação oficial, e por causa do clima:
- mamão, alta de quase 40%
- maracujá, 33%
- morango, 19%
- e todos os tubérculos, o que nasce no fundo da terra e cresce por lá – como farinha de mandioca, inhame, batata doce. Tudo isso, alta de quase 40%.
“O preço dos alimentos, que é decorrência da produção agrícola, depende das condições climáticas. Você pode, com situações extremas, ter quebras enormes de safra”, afirma Sergio Margulis, professor de Geografia e Meio Ambiente da PUC-Rio.
Para reduzir o prejuízo causado pelo clima nas lavouras, cientistas brasileiros desenvolvem novas gerações de plantas. No laboratório da Embrapa Meio Ambiente em Jaguariúna, no interior de São Paulo, uma bactéria extraída do mandacaru, espécie típica do semiárido nordestino, já é aplicada com sucesso em plantações de milho.
“Sob condições de seca, essa bactéria na raiz da planta produz substâncias que hidratam melhor a raiz e a planta suporta por mais tempo a estiagem prolongada”, explica Itamar de Melo, pesquisador da Embrapa.
Apenas quatro mililitros do líquido contendo a bactéria são misturados a uma 1 kg de sementes, que depois são plantadas.
“Aumenta as raízes e as raízes crescem mais profundamente à procura de água”, diz Itamar.
A descoberta é resultado de doze anos de pesquisas. A nova tecnologia já foi registrada no Ministério da Agricultura para uso no milho e também na soja. E já estão sendo feitos testes nas culturas de cana de açúcar e café.
Para a chefe da Embrapa Meio Ambiente, todos os produtos são seguros e abrem novos horizontes de pesquisa para enfrentar as mudanças do clima.
“Nenhum problema para saúde humana. É um bioproduto, foi retirado da natureza. Essa tecnologia já está no mercado, e está aí para realmente conseguir minimizar esses efeitos, principalmente da seca que ocorre em diversas regiões do país”, explica Paula Packer, chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente.
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