Saiba quem é o megatraficante de drogas que fugiu da PF no helicóptero da família | Brasil

Megatraficante de drogas, Antônio Joaquim Mendes Gonçalves da Mota fugiu usando um helicóptero na véspera da chegada dos agentes da Polícia Federal (PF). Conhecido com Motinha ou Dom, o fugitivo faz parte de uma família milionária que controla uma organização criminosa que atua no tráfico internacional de cocaína, lavagem de dinheiro, associação criminosa e grilagem de terras, segundo a PF e o Ministério Público Federal (MPF).

Motinha escapou da PF com uma aeronave, que o buscou na fazenda de sua família, situada entre os municípios de Ponta Porã, no Brasil, e Pedro Juan Caballero, no Paraguai. As autoridades brasileiras acreditam que houve vazamento de informação por parte de traficantes paraguaios, que negam.

O fugitivo chegou a comandar um exército de 120 homens armados na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, conforme relatado por um investigado em diálogo grampeado pela PF no ano de 2021. A conversa foi obtida pela revista Piauí.

Material bélico apreendido com grupo paramilitar que escoltava traficantes internacionais — Foto: Divulgação/Polícia Federal

Seis deles foram presos na última sexta-feira, durante a deflagração da Operação Magnus Dominus. Entre os alvos haviam brasileiros, um italiano, um romeno e um grego.

De acordo com a PF, alguns membros do grupo paramilitar “são de elevada expertise tática/operacional, com cursos nacionais e internacionais na área de segurança militar privada e atuação em guerras, além de seguranças militares privados de embarcações contra piratas da Somália, recrutados justamente pela sua experiência nesse tipo de serviço”.

Máfia italiana

A família de Motinha é investigada por ter se associado à maior facção criminosa de São Paulo para traficar drogas do Paraguai até a Europa, passando pelo Brasil. O esquema seria a partir da fazenda dos Mota, que perpassa os territórios brasileiro e paraguaio.

Toneladas de drogas seriam enviadas da propriedade rural por via aérea e entregues no interior de São Paulo ou no Norte do Paraná. Depois, as cargas de entorpecentes eram levadas para os portos de Santos, em São Paulo; Paranaguá, no Paraná; e Itajaí, em Santa Catarina. Por fim, as drogas eram transportadas para a Europa e América Central.

Em 2019, agentes da PF apreenderam uma agenda na casa de Motinha em Ponta Porã, de acordo com a revista Piauí. Entre as anotações, havia um contato ligado ao porto de Gioia Tauro, no Sul da Itália, dominado pela máfia ‘Ndrangheta.

Luxo e riqueza

As atividades ilícitas da família Mota renderam um patrimônio milionário: uma fazenda com mais de mil hectares, cerca de seis mil cabeças de gato, carros de luxo e helicópteros.

Durante a Operação Helix, em maio deste ano, a Justiça Federal deferiu “o sequestro de diversos bens móveis, como automóveis e helicópteros, e de um imóvel vinculado à organização criminosa, cujos valores estimados ultrapassam os 30 milhões de reais”.

De acordo com a PF, em dois anos de investigação da organização criminosa, foram apreendidos 2.750kg de cocaína, além de nove helicópteros e um caminhão que eram utilizados para o transporte da droga proveniente do Paraguai.

Operação Lava-Jato

Os Mota também esteviveram envolvidos com a Operação Lava-Jato. A PF descobriu, em 2019, que o doleiro Dario Messer ficou escondido nas propriedades da família, em Pedro Juan Cabalero, durante as investigações da Operação Patrón. Antonio Joaquim da Mota e Cecy Mendes Gonçalves da Mota, pai e mãe de Motinha, foram acusados de associação criminosa neste caso e respondem a uma ação penal na Justiça Federal do Rio.

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