Protestos violentos na França ganham força no dia de velório de adolescente morto pela polícia

PARIS- Protestos violentos contra a morte de um adolescente em uma operação policial se espalharam na madrugada deste sábado, 1, na França, dia do velório de Nahuel M. em Nanterre, na periferia de Paris. Segundo o ministério do Interior, 1.311 pessoas foram detidas, um volume maior de prisões que nos últimos dias.

Protestos contra a morte do adolescente se espalharam pela França Foto: Sebastien Nogier/ EFE

Houve violência em grandes cidades como Paris, Lyon e Marselha e até mesmo em territórios ultramarinos, como a Guiana Francesa. Segundo a polícia, houve registros de dezenas de saques e 2,5 mil veículos queimados nas ruas do país,além de 800 ataques a prédios do governo e . O governo destacou 45 mil policiais para conter a violência, até agora sem sucesso.

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Apesar dos apelos do presidente Emmanuel Macron para que pais mantessem jovens e adolescentes em casa, os protestos ganharam força. Na sexta-feira, o presidente atribuiu a onda de violência a videogames e disseminação de notícias falsas nas redes sociais e pediu a remoção de conteúdo on-line.

A cerimônia fúnebre do adolescente, identificado apenas como Nahel, que foi morto pela polícia no subúrbio parisiense de Nanterre na terça-feira, ocorreu nesta manhã. Família e amigos estavam vendo o caixão aberto antes de ser levado a uma mesquita para uma cerimônia e depois sepultado em um cemitério da cidade.

Apelo de estrelas da seleção francesa

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A seleção nacional de futebol da França – incluindo Kylian Mbappé, do PSG, um ídolo para muitos jovens nos bairros desfavorecidos onde a raiva está enraizada – implorou pelo fim da violência. “Muitos de nós somos de bairros populares, também compartilhamos esse sentimento de dor e tristeza” pelo assassinato de Nahel, de 17 anos, disseram os jogadores em comunicado.

“A violência não resolve nada. … Existem outras maneiras pacíficas e construtivas de se expressar. Eles disseram que é hora de “luto, diálogo e reconstrução”.

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O assassinato de Nahel despertou tensões de longa data entre a polícia e os jovens em conjuntos habitacionais que lutam contra a pobreza, o desemprego e a discriminação racial. Os distúrbios subsequentes são os piores que a França já viu em anos e colocam uma nova pressão sobre Macron.

A raiva explodiu no subúrbio de Paris após a morte de Nahel na terça-feira e rapidamente se espalhou por todo o país. No início do sábado, os bombeiros de Nanterre extinguiram as chamas iniciadas por manifestantes que deixaram restos de carros queimados espalhados pelas ruas.

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No subúrbio vizinho de Colombes, os manifestantes viraram latas de lixo e as usaram como barricadas improvisadas. Durante a noite, saqueadores invadiram uma loja de armas e fugiram com armas na cidade portuária de Marselha, no Mediterrâneo, disse a polícia.

Policiais em Marselha prenderam quase 90 pessoas enquanto grupos de manifestantes incendiavam carros e quebravam vitrines para pegar o que havia dentro. Prédios e empresas também foram vandalizados na cidade de Lyon, no leste do país, onde um terço das cerca de 30 prisões feitas foi por roubo, disse a polícia. /AP E AFP

Polícia antidistúrbio tenta conter incêndio em Nantes, na França  Foto: SEBASTIEN SALOM-GOMIS / AFP

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