Portugal está a perder a guerra da demografia

Portugal está a envelhecer e os portugueses a desaparecer. Só a imigração pode inverter a tendência, mas, frente a países como a Alemanha, é difícil ser atrativo

Não sei se já viu os últimos números, caro leitor. Daqui a 50 anos, Portugal vai ter quase dois milhões de habitantes a menos. É o que mostram as projeções de longo prazo da Comissão Europeia para 2070. Seremos 8,5 milhões, pouco mais de metade em idade de trabalhar. Há outros números: o Banco de Portugal apresentou novas contas esta semana e diz que chegaremos a 2100 — depois de uma “queda continuada até ao início da década de 2080” e uma “ligeira recuperação” depois — com 8,9 milhões. São cenários, sem dúvida, com margens enormes. Mas mostram o óbvio: as tendências são claras e, a manter-se tudo na mesma, a população portuguesa só pode encolher. Até há saldos migratórios positivos — agora e esperados para o futuro —, só que são claramente insuficientes. A demografia vai ser a principal condicionante da nossa economia dentro de alguns anos. Pelo travão que impõe ao crescimento e pelo impacto nas contas públicas em despesas de saúde e pensões de reforma. Automação, maquinaria, inteligência artificial. Tudo isso ajuda. Mas o ‘sonho’ de Keynes, que em 1930 esperava para os seus netos uma vida de abundância e grandes doses de lazer, parece ainda bem distante.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.

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