Anemia Falciformes afeta 161 pessoas em Cabo Verde, segundo dados avançados pela DNS

Esses dados foram avançados esta manhã, na cidade da Praia, pela directora Nacional da Saúde, Ângela Gomes, quando presidia à cerimónia as I Jornadas Nacional sobre Células Falciformes, no âmbito do Dia Mundial da Anemia de Células Falciformes, assinalado a 19 de junho.

“Não se conhece o número exacto de pessoas portadores destas doenças no País devido a falta de recursos diagnósticos e inexistência de uma estratégia de resposta organizada, mas sabe-se que a anemia falciforme é mais prevalente nas ilhas de sotavento, especialmente, em Santiago”, disse.

A nível do continente africano, indicou a existência de 200 mil casos, uma prevalência a volta de 5% da população, sendo que mais de 40% dos casos são diagnosticados nas crianças.

Na sua comunicação Ângela Gomes alertou para o facto de existirem casos não identificados, nas ilhas, particularmente as com maior número de imigração de pessoas provenientes do continente africano.

A responsável ressaltou ainda a necessidade de uma abordagem mais científica, multidisciplinar e especializada para reduzir a mortalidade e morbilidade da doença e, assim, garantir a qualidade de vida dos doentes e familiares.

Avançou ainda a previsão, no programa do Governo, da implementação do instituto de sangue e transplante que, segundo disse, terá uma valência no pacote de cuidados a ser oferecido a estes tipos de pacientes.

“O programa nacional de segurança transfusional tem implementado vários postos de transfusão de sangue a nível das ilhas e reforçou esforços a nível de se conseguir medicamentos mais eficazes para a patologia, assim como aquisição de equipamentos que devem ser utilizados para esses tipos de doentes”, afirmou.

Apesar de todas estas medidas adiantou existirem muitos desafios a serem ultrapassados a nível da abordagem terapêutica, devido ao alto custo dos medicamentos.

Apontou como desafios a dispersão dos doentes em várias ilhas, a melhoria da capacidade de diagnóstico laboratorial, capacitação contínua dos profissionais, bem como informações dos doentes e cuidadores.

Referindo-se à patologia, o director do Hospital da Praia, Imadoeno Cabral avançou que em 2022 o serviço de Hematologia do hospital registou mais de 130 casos, um número aparentemente não significativo, mas com o seu peso a nível nacional.

A coordenadora do grupo do HUAN, Linette Fernandes, por sua vez, manifestou a sua preocupação com a falta de estudo de base populacional, afirmando que o que existe é a nível hospitalar e alguns estudos académicos a nível de mestrados.

“É uma doença genética hereditária, em que ambos os progenitores são portadores da hemoglobina que não é norma. E estes têm 25% de possibilidade de transmitir a doença”, disse, realçando que a patologia afecta de forma diferente, de pessoas para pessoas, provocando quadros de cansaço, dores ósseas e retardo na aprendizagem, crescimento e AVC.

A Anemia falciforme é uma doença hereditária (passa dos pais para os filhos), caracterizada pela alteração dos glóbulos vermelhos do sangue, tornando-os parecidos com uma foice, daí o nome falciforme. Essas células têm sua membrana alterada e rompem-se mais facilmente, causando anemia.

O dia 19 de junho foi oficialmente designado como o Dia Mundial de Conscientização da Doença Falciforme com o objetivo de aumentar o conhecimento e a compreensão do público sobre a doença e os desafios vivenciados pelos pacientes, seus familiares e cuidadores.

Inforpress

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