Nascido em 1953, na cidade de Port-au-Prince, capital do Haiti, Dany Laferrière cresceu sob o signo da ditadura dos Duvalier: primeiro François (no poder entre 1957 e 1971), a quem chamavam “Papa Doc”; depois o filho, Jean-Claude, ou “Baby Doc”, que herdou o controlo total do país após a morte do pai e o manteve até 1986. Aos 23 anos, Laferrière trabalhava num jornal crítico do Governo e um dos camaradas de redação, Gasner Raymon, amigo próximo, foi assassinado pelos célebres tontons macoutes, uma força paramilitar que obedecia diretamente ao ditador. Avisado de que estaria na lista de inimigos a abater, conseguiu abandonar o Haiti na manhã seguinte, com destino a Montreal, no Quebeque, e à liberdade.
Os primeiros anos da nova vida foram difíceis, porque o estatuto de trabalhador ilegal o obrigava a fazer os turnos da noite numa fábrica de tapetes. Aos poucos, porém, começa a dedicar-se com intensidade à escrita e publica o primeiro romance em 1985. Reza a lenda que terá dito ao editor, ao entregar-lhe o manuscrito: “Cuidado, tem nas mãos uma bomba.” E não mentia. Se o título em si mesmo — “Como Fazer Amor Com um Negro Sem se Cansar” — era já uma provocação, a narrativa experimental, selvagem e lírica, um festim de ideias heterodoxas e erotismo desbragado, era-o mais ainda. E o sucesso da obra foi proporcional ao escândalo.
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