A chegada da família real no Brasil foi um marco importante para a consolidação da própria ideia de país, enquanto nação com identidade e valores próprios. Afinal, até 1808, as terras brasileiras eram vistas como colônias de Portugal, e não existia a ideia de uma união e nacionalidade.
Quando Dom João VI decide deslocar sua corte para cá, temos o primeiro passo de um longo caminho que nos levaria à independência e à formação de um estado soberano. Essa mudança foi importante até mesmo para a língua que aprendemos hoje nas aulas de português. Por isso mesmo, esse momento de nossa história é tão importante e lembrado.
A seguir, você irá conhecer melhor toda essa história e descobrir se o príncipe regente português, foi um estrategista ou um covarde. Confira!
A fuga da família real de Portugal
A primeira pergunta que se faz ao pensar neste fato histórico é: “por que D. João VI decidiu fugir de Portugal e transferir sua corte para o Brasil?” Afinal, este é um evento isolado na história, o primeiro e único caso de uma monarquia europeia a habitar suas colônias em outros continentes.
O principal motivo para esta fuga foi a invasão francesa pelas tropas de Napoleão Bonaparte. Portugal era aliado à Inglaterra – a aliança mais antiga do mundo, estabelecida em 1373 – e, justamente por isso, não respeitava o Bloqueio Continental imposto pela França contra os britânicos.
Esse bloqueio se deu no contexto das Guerras Napoleônicas. A França era imbatível em terra, e a Inglaterra tinha a mais poderosa frota naval do mundo. Sem conseguir invadir as ilhas britânicas, Napoleão decide instaurar um bloqueio comercial, impedindo todos os países europeus de fazerem negócios com os ingleses, visando enfraquecê-los.
João VI, então príncipe regente, optou por não aderir ao bloqueio – mesmo ciente do risco de ser invadido – por depender, e muito, economicamente das relações comerciais com a Inglaterra.
Por isso mesmo, Napoleão via no reino ibérico um desafio ao seu domínio na Europa, além de uma possível ponte para o continente em uma eventual invasão britânica.
A desconfiança com os espanhóis
Outro motivo para a invasão francesa em Portugal e a eventual chegada da família real no Brasil era a relação instável entre França e Espanha. Os dois países alternavam momentos de alianças e inimizades, e Napoleão desconfiava de que o rei espanhol poderia abandoná-lo por uma oferta inglesa.
Uma operação contra Portugal serviria de pretexto para o posicionamento de tropas francesas na Península Ibérica, prontas para intervir contra a Espanha, se necessário. Tanto que, as tropas francesas em direção a Portugal, quando marchando pela Espanha, mapeavam secretamente as estradas e fortificações.
A invasão francesa
A invasão de Portugal foi realizada por tropas francesas lideradas pelo General Junot, apoiada por tropas espanholas. Esse exército era maior, melhor treinado e melhor equipado que as tropas lusitanas, tornando uma resistência portuguesa muito difícil.
Além disso, os ingleses avisaram que uma força de intervenção para ajudar seu aliado iria demorar, fazendo com que D. João VI soubesse que não seria capaz de se defender sozinho contra Napoleão.
Tanto que, em determinado momento, Portugal, sabendo da invasão iminente, aceitou as condições francesas e chegou a declarar guerra aos britânicos no dia 20 de outubro de 1807. Espertamente, o monarca português fez isso após ter certeza de que o governo britânico soubesse que isso era uma farsa, e não uma decisão legítima. No dia 22 de outubro, Portugal assinou um acordo com a Inglaterra.
A chegada da Família Real no Brasil
À essa época, o império marítimo português era gigantesco, com colônias também na África e na Ásia. A ideia de transferir a corte portuguesa para o Brasil não era nova, ou um plano de emergência.
Há muito já se discutia os benefícios dessa mudança, como o de colocar a capital – e, consequentemente, o rei e a corte, mais perto das demais regiões do império -, aumentar o fluxo comercial entre as colônias e modernizar a administração do governo português.
No dia 27 de novembro de 1807, D. João VI, a família real, a nobreza portuguesa e seus empregados embarcaram rumo ao Brasil, totalizando mais de 15 mil pessoas. Com eles vieram boa parte do tesouro do império, além de posses pessoais.
Apesar da fama histórica de que o príncipe regente português teria sido um covarde, o fato é que essa decisão foi uma estratégia muito bem pensada. A transferência da corte para o Brasil fez com que a metrópole portuguesa sofresse pouca destruição material durante a guerra, além de permitir a autonomia de Portugal e a tomada da Guiana Francesa.
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