Duas semanas após assassinato de prefeito, estudantes brasileiros no Paraguai temem por ‘onda de crimes sem controle’ | Mato Grosso do Sul

Estudante de Medicina há 5 anos em Pedro Juan, Maria Júlia, de 25 anos, que é do interior de Mato Grosso do Sul, diz viver tensão máxima nas últimas duas semanas.

“Agora escutamos tiros com muita frequência, desde que o prefeito morreu, há muitas conversas de novos atentados a família dele e as pessoas temem que se torne uma onda de crimes sem controle”, disse a jovem.

Outro estudante que teve sua imagem preservada pela reportagem por segurança, também mora no município para estudar medicina e diz que pensa em dar um tempo em sua graduação enquanto o clima de tensão prevalece.

“Minha família está assustada, eles me ligam sem parar perguntando onde estou, com quem e se é um lugar que não corro risco, estamos apreensivos, eles acham que o melhor é eu dar um tempo enquanto a situação não é resolvida, enquanto investigam o atentado e eu vou fazer isso, vou voltar para minha cidade”, disse.

Carro blindado em Ponta Porã — Foto: Ântonio Coca/ Reprodução

Uma das instituições de ensino superior de Pedro Juan Caballero e, que conta com grande número de estudantes brasileiros, é a Universidade Central do Paraguai (UCP).

A universidade aponta que fornece apoio aos acadêmicos. “Temos um centro de apoio psicológico que presta assistência aos acadêmicos, dois profissionais ficam disponíveis 24 horas”, apontou o porta-voz da instituição, Antonio Coca.

A UCP informa, entretanto, que na semana em que ocorreu o atentado que resultou na morte do prefeito de Pedro Juan Caballero, as atividades que estavam sendo realizadas foram interrompidas.

“Estávamos com dois eventos acontecendo, que foram paralisados quando ocorreu o assassinato do prefeito. Hoje Predo Juan, tem um efetivo maior de forças policiais, na frente da universidade, e em pontos importantes do município, e assim deve permanecer por semanas”, esclareceu o porta-voz.

Segundo o secretário Municipal de Segurança Pública de Ponta Porã, Marcelino Nunes, ações em conjuntas estão sendo realizadas para o fortalecimento da segurança de ambos os municípios, tanto do lado paraguaio quanto do lado brasileiro.

“A polícia paraguaia bem como o Ministério da Justiça e o Ministério do Interior das polícias, determinou o aumento da força de segurança em Pedro Juan Caballero. A Secretaria de Segurança Pública do nosso estado determinou a vinda de forças especiais para a fronteira, para fazerem um trabalho em conjunto”, disse.

Desde o crime, a polícia abriu uma investigação para apurar as razões e os culpados pelo crime e chegou quatro suspeitos.

Cartazes pedindo paz na fronteira — Foto: Ântonio Coca/ Reprodução

Após a morte de Acevedo, a faixa de fronteira com o Brasil, entre as cidades de Pedro Juan e Ponta Porã, está com segurança reforçada. Policiais paraguaios armados com fuzis foram deslocados para a Linha Internacional.

Com a morte de Acevedo, quem assumiu a prefeitura da cidade paraguaia foi a vereadora Carolina Yunes Acevedo, presidente da Câmara de Pedro Juan Caballero.

Carolina é esposa do governador do departamento (o equivalente no Brasil a estado) de Amambay, Ronald Acevedo, que era irmão do prefeito assassinado. Ela também é mãe de Haylee Carolina Acevedo Yunis, jovem que morreu aos 21 anos em uma chacina, também em Pedro Juan Caballero, e em entrevista a uma rádio paraguaia, disse sentir medo da violência.

Veja vídeo abaixo do momento da chacina que teve Haylee Carolina Acevedo Yunis como uma das vítimas:

Vídeo mostra execução de quatro pessoas em Pedro Juan Caballero

Nos últimos anos a família Acevedo vem sendo alvo de vários atentados na região.

  • No dia 26 de outubro de 2010, o então senador Robert Acevedo, irmão de José Carlos (prefeito assassinado de Pedro Juan Caballero) e do atual governador de Amambay, Ronald, sofreu um atentado. Pistoleiros dispararam contra a caminhonete em que estava, próximo a rodoviária de Pedro Juan Caballero. O motorista e o segurança morreram.

Robert recebeu um tiro no braço e outro de raspão na cabeça e na época denunciou que o ataque havia sido planejado por facção ligada ao tráfico de drogas e que sua vida valia US$ 300 mil para os criminosos. Ele morreu de Covid-19, no ano passado.

Robert Acevedo, na época do atentado, em 2010 — Foto: Reuters

  • Em 9 de setembro de 2016, a rádio Amambay, em Pedro Juan Caballero, empreendimento da família Acevedo, foi atacada com uma bomba. Uma locutora e seu entrevistado ficaram feridos. Na época a polícia paraguaia divulgou suspeitar que a ação também fosse uma represália de grupos de narcotraficantes. Robert era então presidente do Congresso paraguaio. Veja vídeo abaixo.

Rádio é atacada durante transmissão ao vivo no Paraguai

Rádio é atacada durante transmissão ao vivo no Paraguai

  • Quase dois anos depois, em 18 de agosto de 2018, um suboficial da Polícia Nacional do Paraguai, Diego Gerado Maidana, que atuava como segurança de Robert, na época deputado, foi assassinado por pistoleiros na colônia Guavirá, no departamento de Amambay.

Haylee Carolina Acevedo Yunis morreu aos 21 anos, em uma chacina em Pedro Juan Caballero. — Foto: Redes sociais/Reprodução

  • No dia 9 de outubro de 2021, a filha do governador de Amambay, Haylee Carolina Acevedo Yunis, morreu em uma chacina em Pedro Juan Caballero. Ela e outras três pessoas tinham acabado de sair de uma casa noturna e estava em um carro quando suspeitos desceram de uma caminhonete, atiraram em todos que estava no veículo e fugiram.

Na época, a polícia apontou que uma das pessoas que estava no carro, Omar Vicente Álvarez Grance, de 32 anos, o “Bebeto”, seria integrante de uma facção e o verdadeiro alvo do atentado.

  • Na terça-feira passada (15). José Carlos Acevedo foi baleado quando deixava o prédio da prefeitura. Ele ficou internado até sábado (21), quando os médicos constaram morte cerebral e depois o falecimento.

Onde fica Pedro Juan Caballero

Ponta Porã fica na fronteira do Paraguai com o Brasil — Foto: g1

Pedro Juan Caballero é a capital do departamento de Amambay, no Paraguai. Na fronteira com o Brasil, apenas uma rua separa a cidade de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul. Tem cerca de 100 mil habitantes e é conhecida pelo comércio de produtos importados e contrabandeados.

Também é apontada pelas polícias como uma das principais rotas de passagem do tráfico de drogas, armas e agrotóxicos para o Brasil e, por isso, local de atuação de várias facções criminosas.

Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

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