1ª Circuito Quilombo do Samba com tema liberdade celebra encontro geracional e territorial do samba de raiz da capital

Promover notoriedade ao samba, refletir sobre os caminhos da verdadeira liberdade do povo preto, além de movimentar o baixo centro da capital, promovendo a interação e um novo relacionamento com os espaços da cidade. Estes são os objetivos do 1º Circuito do Quilombo Samba edição Liberdade. O projeto propõe uma reflexão sobre direitos da população negra através da cultura e do lazer em um circuito aberto para toda a cidade.

Ao todo serão 10 horas de festa com o potente encontro geracional entre tradicionais grupos de samba de Belo Horizonte e a nova geração de artistas que se destacam na cena mineira. A data escolhida é 14 de maio, domingo em que se comemora o Dia das Mães e o dia de Preto Velho. Partindo do princípio de cura, ancestralidade, alegria e reconhecimento, o projeto quer rememorar quem veio antes, como também comemorar o dia das matriarcas. A celebração tem início no Sula a partir das 10h com discotecagem da Dj Bebela e na sequência, apresentação do grupo Simplicidade do Samba. No espaço também haverá a tradicional feira Aquilombar que acontece até às 15h; Na sequência, às 15h, o circuito se movimenta para a cervejaria 2black beer em que se apresentam o grupo Os Banjos e, na discotecagem, DJ Camis. Às 19h, debaixo do viaduto Santa Tereza, o tradicional Samba da Meia Noite encerra as atividades do circuito. A programação é gratuita e aberta para o público sem necessidade de retirada de ingressos. Para mais informações, acesse: https://www.instagram.com/quilombodosamba/

Fatini Forbeck, idealizadora e gestora da Aquilombar Produções, explica que a escolha por uma line-up 100% belorizontina visa dar notoriedade à potência da cena cultural da cidade. Ela evidencia também que o projeto traz em seu DNA o empoderamento da comunidade negra através do samba. “Samba é possibilidade de empregabilidade e distribuição de renda, movimenta a economia local e fortalece a identidade cultural da capital mineira – protegendo, preservando e promovendo a cultura afro-brasileira”.

BH Terra do SAMBA! E o samba como possibilidade de dinheiro na mão da população negra – A Aquilombar Produções, empresa de articulação e desenvolvimento social e cultural, e produtora do evento, acredita que BH é terra de roda de samba. Tendo o ritmo como anfitrião, as articulações do evento se movimentam ao encontro do chamado black money, que significa girar dinheiro dentro da comunidade negra como ideologia central e tendo o protagonismo negro como fio condutor dessa caminhada.

Fatini Forbeck apresenta o Quilombo do Samba como um projeto multicultural costurado por diversas linguagens artísticas a fim de fortalecer o cenário do samba em Minas Gerais. “Tal qual um quilombo, o samba também representa uma forma de existência essencialmente afro-brasileira”. Para ela, a iniciativa vem para somar com a cidade ao apresentar o que se tem de melhor e, assim, potencializar o turismo. “BH também é capital do samba no país, pois acontece entre 30 e 40 rodas de samba todos os fins de semana. A cidade tem o potencial de receber pessoas e projetos de outros estados, podemos movimentar ainda mais a cena e atrair público e turistas que amam esta celebração. Queremos apresentar nossa alegria, liberdade e nosso jeitinho mineiro de fazer eventos”.

É no samba que o povo preto cura sua dor – Para os movimentos negros do país, 13 de maio é um dia que não terminou, uma vez que foi apenas um acordo. A abolição da escravatura nunca existiu, de fato, como um processo reparatório. Fatini pontua que o processo deixou o povo negro desprotegido: “o genocídio começou alí: sem segurança alimentar, sem emprego, sem garantia de integridade física e ao direito à moradia. Sem isso, como sobreviver?”, questiona. Ela relembra a Lei da Vadiagem instaurada no pós-abolição, em 1890, foi uma das formas institucionais de criminalizar o que é ser negro, além de desmobilizar as ferramentas ancestrais de sobrevivência e da alegria do povo preto no país. Portanto, para ela, 14 de maio é uma data importante para expressar espiritualidade, cultura e afeto. “É nisso que o samba está: na alegria e na cura. Não tem como falar de resistência e quilombo sem falar de Samba”.

Uma das premissas do evento é propiciar a vivência da magia do samba. “O povo preto se organiza em roda – seja no samba, na capoeira, nas giras de candomblé, nos círculos de oração, nos slams de poesia e nas batalhas de MC ‘s. É assim que a gente se reconhece enquanto povo e é no samba que curamos e abrimos espaço para a construção novas narrativas para pensar em um futuro próspero. É na roda que a magia acontece!” afirma, Fatini. A data foi escolhida para celebração do que dentro da cultura dos povos de terreiro o Preto Velho representa – os ancestrais que oferecem sabedoria. “Representam os bons conselhos, sabedoria para que caminhemos com mais leveza nesse tempo.Os Pretos Velhos são os conhecedores das ervas, rezas e dos caminhos”, reflete.

Dia das Mães na capital mineira – Domingo é sinônimo de prazerosos passeios e encontros  na Feira Hippie e suas imediações. A avenida Afonso Pena se torna uma festa em que cada um encontra seu próprio ritmo e constrói seu roteiro a partir de interesses. Mães passeiam com seus filhos que, enquanto caminham, comem alguma das comidas gostosas vendidas por ali. Turmas inteiras que festejaram até o amanhecer finalizam na feira suas comemorações. Famílias escolhem  enxovais – seja para suas casas ou para seus bebês que estão para chegar. É possível ver também milhares de turistas encantados com a culinária e com os diversificados produtos. São domingos marcados por uma culinária diversa e muita cerveja gelada – um retrato do quão familiar são os domingos em Belo Horizonte. As cenas corriqueiras entregam a vocação da cidade em recepcionar em eventos gratuitos e para todos os públicos. Convocados pela energia dos domingos festivos, o público amante de diversão gratuita com qualidade também aproveita para circular pelo Parque Municipal, Viaduto Santa Tereza e no baixo centro. Para Fatini, a  Feira e o Parque Municipal convidam para viver a cidade: “Feira hippie que é esse espaço onde a gente tem a oportunidade de adquirir coisinhas para nossa casa, para ornar os nossos corpos e também apreciar a culinária deliciosa, cervejinha gelada. O Parque Municipal, que é bem Central e gratuito, convida a gente a ter esse contato com a natureza”

Ela conta que o Circuito do Quilombo Samba edição Liberdade se mistura a esta simbiose como mais uma opção de lazer e cultura gratuitos para todas as pessoas neste Dia das Mães. “É para todo mundo! A gente se mistura neste centrão para também convidar as nossas mães para dar um rolê na cidade – elas que muitas vezes ficam em casa fazendo a comidinha para receber os filhos”. E ela dá o recado para os filhos aproveitarem para propiciar esta experiência para suas mães. “Traga sua mãe para o samba! Uma oportunidade dos filhos convidarem as mães para viver e para conhecer a cidade. A cidade é afetiva e rica em convivência – do Mercado Novo ao Mercado Central; dos bares da cidade às expressões artísticas e turísticas;  do samba aos duelos de MC ‘s”, enfatiza. Fatini ainda reflete sobre a data e sobre a importância de celebrar as grandes homenageadas. “O samba, assim como uma mãe, acolhe, recebe, alerta, corrige, mas também abraça. O samba ama, cura as feridas e nos alimenta”, finaliza.

O Circuito do Samba edição Liberdade – Zona Cultural é idealizado pela Aquilombar Produções e realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.

Conheça os artistas:

DJ BEBELA – Bebela Dias, nome artístico de Isabela Dias Campos, nascida em junho de 1994, criada na zona oeste de Belo Horizonte. Amante da Black Music, iniciou sua jornada artística no ramo no ano de 2011 como MC e produtora de eventos. Influenciada pelos familiares, o interesse pela black music foi inevitável. DJ Bebela Dias tem ênfase musical na vertente da música preta, relacionada aos gêneros e seus respectivos subgêneros do Rap, R&B, Soul, Ragga, Samba, BASS, Funk, Afrobeat e House. No ano de 2015 entrou na discotecagem sendo DJ e produtora da Bronka, Juicyy, Volume Extra, Rap Hour e Video Traxx e DJ residente da Under Feelings e no ano 2021/22 pertenceu ao coletivo Original Sundays.

DJ CAMIS – mulher negra, da periferia de Contagem – bairro Jardim Laguna. Apaixonada e disseminadora da Black Music, caminha pelas suas vertentes, propondo uma viagem nas décadas, com muito soul, jazz, funk, r&b, hip hop, miami, funk nacional, pagode e SAMBA. Como produtora cultural, propõe a reflexão do empoderamento, a representatividade e o protagonismo da população negra, sobretudo das mulheres negras, sendo uma das fundadoras, organizadoras e DJ residente da festa do Projeto ‘Samba das Pretas BH’. Além disso, atua há 14 anos na Defensoria Pública de Minas, auxiliando na defesa da população carcerária e suas famílias. 

OS BANJOS – Formado por oito integrantes, o projeto apresenta o famoso samba antigo, o samba de roda, conhecido também como samba de mesa, feito com quatro Banjos na roda, que incluiu tantam de marcação, tantan de corte, pandeiro, reco. Seu repertório é feito no estilo partido alto samba pra frente, feito no gogó com instrumentos desligados, formato samba no meio da galera. O projeto Os Banjos começou no bar do Cacá onde ficou conhecido como samba feito a moda antiga.

SAMBA DA MEIA NOITE – grupo de cultura popular belo-horizontino voltado para o samba de roda, através dessa manifestação tradicional do recôncavo baiano, tem o papel de divulgar e difundir a cultura do samba de roda em Belo Horizonte. Por meio dessa arte tão genuína, o grupo busca afirmar sua identidade e sua ancestralidade, tendo o samba como ferramenta para denunciar e combater o racismo, a intolerância religiosa e toda forma de preconceito.

Sobre o Quilombo do Samba – Na 1ª edição, em meados de 2022, o Quilombo do Samba trouxe um turismo inédito, afeto e partilha pós-pandemia, reunindo o conceito de Quilombo ao conceito ao conceito do Samba. A ROTA DO SAMBA, que através do fomento do turismo cidadão levou mais de 30 pessoas, das 89 inscrições para as três maiores casas de samba de Belo Horizonte, promovendo encontros intergeracionais, raciais e culturais e fomentando economicamente esses empreendedores. No mesmo ano, em julho, uma grande celebração aconteceu no Catavento Cultural reuniu um público de aproximadamente 1000 pessoas. O evento possibilitou distribuição de renda para mais 60 famílias de forma direta e indireta. O line up da primeira edição contava com artistas do samba com notoriedade em Belo Horizonte, como Donas de Si, Simplicidade do Samba, Manu Dias e Dj Kingdom. Já a 2ª edição, realizada no pré-carnaval de 2023, estabeleceu uma nova relação entre os eventos fechados e eventos de rua durante esse período. Agraciados pelo calor carnavalesco de Belo Horizonte, a edição teve mais de 8 horas de festa e recebeu um público de aproximadamente 900 pessoas. O Quilombo do Samba edição de carnaval trouxe grandes nomes do artístico mineiro, Simplicidade do Samba, Afoxé Bandarerê, Donas de Si, Dj Kingdom e Swing Safado que cresce exponencialmente na cena musical e cultural de Minas Gerais nos últimos anos. As duas edições tiveram espaço de feira e gastronomia Aquilombar, valorizando a cultura e economia local.

Serviço

O quê: Circuito Quilombo do Samba edição Liberdade 

Atrações: Simplicidade do Samba, Os Banjos, Samba da Meia Noite, Dj Camis, Dj Bebela

Quando: 14 de maio 2023

Horário: 10h às 20h

Onde: Sula, 2 black beer, Viaduto Santa Tereza (referência – Av. Assis Chateaubriand, 619 – Floresta, Belo Horizonte) 

Entrada (R$): Gratuito sem necessidade de retirada de ingresso

Foto: Reprodução/Facebook


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